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meu surfe, minhas regras

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“Imagine como poderíamos ir mais além se o gênero não ditasse quem deveríamos ser?”

Chimamanda Ngozi Adichie

 

O cenário que envolve a mulher no surfe vem melhorando, no sentido de que cada vez há mais abertura à participação feminina no esporte. Entretanto, o número de surfistas do sexo masculino ainda é majoritário e o tratamento que recebem pelas entidades da área é bastante diferenciado. Estudos apontam que, modo geral, são os homens os responsáveis pela inserção das mulheres no esporte (MONTEIRO, 2017). A autora, por intermédio da análise de discurso, discorre que há uma exaltação ao masculino no universo do surfe. Um dos elogios comuns às mulheres que têm domínio da prática é dizer que surfam como um homem. Portanto, muito há muito espaço a se conquistar pelas mulheres surfistas.

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Janaína Pedroso, na publicação TPM, da Revista Trip no UOL, afirma que as associações de surfe não investem nas categorias femininas, porque não há interesse do “mercado”, e o “mercado” diz que não investe porque as mulheres não consomem seus produtos. Será? Ou será porque o etéreo mercado é estruturalmente patriarcal? De toda forma, as empresas do segmento têm interesse na organização de concursos de beleza feminina em campeonatos de surfe masculinos.

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Xandi Fontes, diretor-geral da WSL da América do Sul, questiona que “É inadmissível que o Brasil, com o potencial que tem de atletas, eventos e fãs no surf masculino, não tenha isso também no feminino”.

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Portanto, o recado é: a “beleza” (uma nota importante: é preciso compreendermos que padrões de beleza são construções socioculturais e temporais) “feminina” é muito bem-vinda para desfilar nas areias da praia (campo da fragilidade), enquanto o mar é reservado ao estrelato masculino (campo da virilidade).

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Esta é uma condição determinada por uma sociedade estruturalmente patriarcal e machista, mas vem se transformando, ainda que muito lentamente, pela luta das mulheres – histórica, é preciso ressaltar, assim deve-se reverenciar as gerações anteriores – por espaço e respeito. Muitos homens, por mais que neguem mentalidades e posturas machistas, acomodam-se na zona de conforto que a estrutura patriarcal lhes oferece e nada fazem no sentido de transformar estas realidades. E quem se cala frente a uma opressão, toma o lado do opressor.

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Este ensaio visual, que denominamos ‘Meu surfe, minhas regras’, tem o objetivo de afirmar que o mar também é delas! Convidamos cinco PESSOAS com características diversas, mas com uma paixão em comum, o surfe. São uma mulher negra cis, uma mulher negra trans, uma mulher de ascendência japonesa cis e duas mulheres brancas cis.

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A proposta é fotografarmos estas pessoas em suas práticas cotidianas, o que inclui a prática do surfe, é óbvio, mas também o trabalho e afazeres diários. Neste ensaio visual, apresentamos o primeiro dia de trabalho, que se estenderá pelos próximos meses, quando registraremos individualmente imagens do dia a dia.

 

Apresento a equipe:

 

Aline Bernardi é oficial de justiça e surfista;

Anna Christina Kagueyama é professora de surfe e surfista;

Camila Matos é professora de dança, modelo e surfista;

Cristiane Paulino é publicitária, professora de ioga e surfista;

Helena Baur é mãe, educadora física, professora de ioga e surfista;

Karen Pimentel, bióloga marinha, é uma das idealizadoras do projeto e atua na produção;

Cadu de Castro é historiador, fotógrafo e um dos idealizadores do projeto.

 

*Antes do gênero e dos rótulos profissionais somos todas e todos pessoas, esta é a essência de todas e todos nós. E é por nossa essência que todas e todos somos iguais em direitos, assim, devemos ser respeitadas e respeitados em nossa diferenças.

*Ensaio realizado na Praia de Itaguaré, em Bertioga.

 


Bibliografia:

HINTZE, H. Desnaturalização do machismo estrutural na sociedade brasileira. Jundiaí: Paco Editorial, 2020.

MONTEIRO, N. S. Mulheres, gênero e surf: narrativas sobre inserção e permanência na prática. Acesso: http://www.repositorio.ufc.br/handle/riufc/36537

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PEDROSO, J. O Surf feminino pede respeito. Acesso: https://revistatrip.uol.com.br/tpm/o-surf-feminino-pede-respeito

Portifólio de Cadu de Castro

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